quarta-feira, 22 de julho de 2015

The Great Barrier Reef



Essa é uma das aventuras que você vai contar e lembrar pelo resto da sua vida. É algo surreal que vai invadir a sua mente todos os dias e vai te fazer feliz por ter vivenciado aquela experiência. Eu SUPER recomendo não só para ver como a natureza é surpreendente e sensacional mas também marcar sua vida para sempre.

Um pouco sobre a Grande Barreira de Corais

A Grande Barreira de Corais é uma imensa faixa de corais composta por cerca de 2900 recifes, 600 ilhas continentais e 300 atóis de coral, situada entre as praias do nordeste da Austrália. Ela possui 3.000 km de comprimento com largura variando de 30km a 740km, ou seja, é GIGANTESCA!

Mapa mostrando a dimensão da Great Barrier Reef
A Grande Barreira de Corais é a maior estrutura do mundo feita unicamente por organismos vivos e que pode ser vista do ESPAÇO! Ela suporta uma grande biodiversidade e foi eleita um dos patrimônios mundiais da humanidade em 1981. Ela também foi considerada uma das maravilhas do mundo e símbolo do estado de Queensland. Sim, ela é maior que a muralha da China.

Great Barrier Reef vista do espaço
O ambiente marinho na Grande Barreira de Corais é diversificado muitos animais tais como 30 espécies de mamíferos, incluíndo baleias e golfinhos. São mais de 1.500 tipos de peixes, mais de 400 espécies de corais, 250 tipos de camarões, 5.000 tipos de moluscos e 200 espécies de pássaros.

Existem MUITO mais informações sobre esse fenômeno que é a Grande Barreira de Corais mas vamos seguir em frente com a minha experiência nessa maravilha!

Planejando a experiência

Desde que cheguei na Austrália venho pesquisando sobre o motivo desse país ser diferente dos outros e o que o torna tão especial. Não pude deixar de notar diversas atividades bem comuns por aqui mas sabia que não seria o suficiente para mim, eu queria a verdadeira Austrália, aquela reconhecida pela natureza, que represente não só o país mas que pudesse garantir uma experiência engrandecedora para mim.

Não demorei muito para ter certeza que eu precisava mergulhar na Great Barrier Reef e viver intensamente esse momento. 

Corais próximo de Cairns
Obs: Eu gostaria muito de visitar o Uluru no deserto da Austrália também (quem sabe em outra oportunidade) mas na dúvida entre os dois eu fiquei com algo mais relacionado comigo: mar e esporte.

O dia anterior

Não pense que o dia anterior ao mergulho é insignificante pois isso não é verdade! Na realidade faz toda a diferença garantindo assim maior segurança e saúde. Eu nesse ponto acabei me complicando por alguns motivos:
  1. Comi muito pouco no jantar;
  2. Tomei café com leite a noite;
  3. Fui tentar dormir cedo mas exatamente nessa noite era uma das maiores festas do hostel e o meu quarto era "bem localizado" ou seja, dormi o total de 3 horas.
Eu estava preparado para o dia seguinte só não contava com a super festa no hostel e acreditava que estava mais do que preparado para encarar uma natação no período da manhã.

The Great Barrier Reef Day


Eu estava dividindo o meu quarto no hostel com mais 5 pessoas quando o meu despertador tocou e eu levantei super animado. Ao arrumar minha pequena mala com acessórios indispensáveis (protetor solar, boné, câmera pra filmar debaixo d'agua) o despertador do celular tocou novamente (mania de colocar vários alarmes seguidos para não perder o horário) e eu vi que ninguém tinha acordado com o barulho pois o clima de festa ainda estava no ar.

Após comer 3 croissant com bastante café com leite eu saí do hostel agasalhado pois o vento nessa época em Cairns é um pouco forte, principalmente no período da manhã. O hostel era bem localizado e perto da marina onde sairia o meu barco.

Eu cheguei com tempo de sobra (fazendo jus a minha extrema pontualidade japonesa) sendo o primeiro passageiro do passeio.

Barco utilizado
A tripulação estava arrumando os últimos preparativos para finalmente poder embarcar a todos e nesse meio tempo me ofereceram uma grande xícara de café com leite que eu aceitei com a finalidade de acabar com o meu sono.

Os passageiros começaram a chegar e se aglomerar em frente ao barco e quando o líder da tripulação começou a anotar os nomes eu acabei ficando por último, porém isso não me abalou pois eu estava contemplando um dos céus mais bonitos que já vi na minha vida.

Céu de presente...

Embarcando

Para entrar no barco era necessário ficar sem nenhum calçado e em seguida você era conduzido para um circuito de checagem e coleta de equipamentos:
  1. Pé de pato;
  2. Máscara e snorkel;
  3. Wetsuit (aquela roupa de borracha para mergulhar e manter o calor do corpo).
Após a "checagem" entreguei o papel confirmando minha reserva e paguei a diferença do valor. Em Cairns existem milhares de empresas que realizam trips para a Great Barrier Reef mas vale a pena conferir depoimentos e principalmente promoções que sempre aparecem (que foi o meu caso!).
Dica: Se você reservar 1 mês antes é mais fácil encontrar promoções e ficar interado do que realmente vai acontecer.

Após o pagamento eu recebi um formulário para preencher dizendo basicamente que estou em forma e com a saúde em dia, ou seja, aquela burocracia para que eles não sejam processados se acontecer algo sério com você. O engraçado é que eu era o único passageiro que estava viajando sozinho e para finalizar esse documento era necessário que alguém assinasse dizendo que estava ciente de tudo que eu tinha escrito (melhor hora para fazer novas amizades!)

Todos embarcados, show de stand up da tripulação começando e o nosso barco saindo para a Great Barrier Reef!

Snorkeling na Great Barrier Reef

Epopéia para chegar na Barreira de Corais

Eu imaginava que todos que estavam ali presentes iriam realizar o mesmo passeio mas eu estava enganado. Algumas pessoas iriam descer na Fitzroy Island (realizar snorkel, canoagem e trilha por lá mesmo) e outros iriam ficar 3 dias em uma das ilhas.

Começando pelo começo, quando eles falarem sobre os sacos ou envelopes utilizados quando você está passando mal não recuse pois você não sabe como o seu corpo irá reagir com o balanço do barco e eu posso dizer que eu NUNCA vi um barco balançando tanto na vida! hahaha.

No começo da viagem (até a Fitzroy Island) o barco balançou bastante mas nada que fosse um absurdo. Muitas pessoas foram para a parte traseira do barco utilizar seus "envelopes", passaram mal de verdade.

Retomando o caminho para a barreira de corais eu comecei a lembrar de todo o leite que eu havia consumido e me preocupei por um instante. Aí então nosso barco entrou em uma zona de TERREMOTO, era possível ver a água explodindo a metros de altura e um dos tripulantes ligou o microfone e disse: "Pessoal, vamos passar por uma parte um tanto quanto complicada por aqui..." e caiu no chão antes mesmo de terminar de falar. Se uma pessoa que trabalha ali no barco, vive isso diariamente diz que a situação nesse ponto é complicada e cai no chão o que você faria? Meu corpo falou, aliás meu estômago.

Me juntei a turma do fundão e passei mal pela primeira vez.

Foi coisa rápida mas mesmo assim garanti uma segunda sacola, vai que acontece novamente...

Voltei para a parte interna do barco muito zonzo e sem condições de falar pois estava além de cansado, com sono.

O nosso barco chegou em um ponto onde se conectou com outro barco maior (uma espécie de hub) para desembarcar outras pessoas. Em seguida andamos um pouco mais e chegamos no primeiro local de mergulho.

Primeiro mergulho

A paisagem era sensacional só de olhar, não precisava nem entrar na água: Águas claras com tons diferentes, era possível (de dentro do barco) reconhecer os corais e a vida marinha que ali estava. O sol nesse momento apareceu para dar ainda mais cor aos corais e energia aos passageiros mais cansados, no caso eu!

Sol iluminando e dando cores vivas aos corais
Ao cair na água com minha câmera notei que a mesma não estava ligando, não me importei e continuei. Subi novamente no barco, tirei a bateria, coloquei novamente e nada...em um dia normal eu ficaria EXTREMAMENTE nervoso com a situação pois havia checado a mesma no dia anterior, porém, estava tranquilo e apenas aproveitei a oportunidade de estar ali naquela imensidão aquática.

Se você for fazer snorkeling e estiver cansado, não sabe se vai aguentar ou qualquer outra dúvida com relação a sua integridade física não hesite em pegar o colete salva-vidas. A maioria dos corais são bem altos e você consegue observar sem fazer nenhum esforço.

Um dos tripulantes fica no topo do barco observando e vigiando todos que estão fazendo snorkeling controlando a distância e alertando um dos guias que está na água sobre qualquer emergência.

Selfie com o "controlador"
Se você for fazer scuba diving terá um instrutor junto com você em um grupo (mergulho introdutório). No começo da viagem são passadas diversas informações porém na água é diferente não é mesmo? Mas o segredo é manter a calma e respirar o tempo todo pela boca.

Os sinais tanto para quem está realizando o snorkeling ou pra quem está scuba diving são bem simples, fáceis de lembrar e entender então não se desespere e aproveite!

Preparação séria e concentrada
Nunca vi uma coisa igual a essas. O coração pulava mais do que o normal, senti minha respiração ofegante e a adrenalina ainda mais presente... impossível não se surpreender com toda a paisagem.

Eu cansei mas fui inteligente o bastante para voltar e não precisei ser resgatado.

Almoço

Após sair da água tirei meu wetsuit e me preparei para o almoço servido na parte interna do barco. Não imaginava que o almoço seria tão bem servido, só faltou o arroz!

Nesse momento como eu estava com uma camiseta de corrida escrito "Eu Atleta" em verde amarelo acabei conhecendo dois brasileiros (pai e filho). Fiquei um bom tempo conversando com o senhor de 65 anos que não falava nenhuma palavra em inglês mas tinha mais energia que todos ali naquele barco. Lembrei bastante do meu pai pois ele não parava de falar que eu tinha que aproveitar a vida ao máximo e viajar enquanto ainda sou jovem.... Ouvi todos os conselhos com muita atenção do bancário aposentado torcedor do Figueirense até o momento que reparei que precisava comer mais, repeti o prato.

Não demorou muito para chegarmos no segundo local para mergulho e nesse meio tempo fui conversando com uma pessoa da Romênia.

Fato curioso: Tanto o brasileiro filho do senhor que conversei bastante como o romeno moram na Austrália há 7 anos porém quando perguntaram de onde eles vieram somente o romeno disse sem hesitar que nasceu e veio de outro país enquanto que o brasileiro sempre dizia que era de Sydney e demorava um tempo para a pessoa descobrir que ele tinha vindo do Brasil. Não entendi até agora a razão de omitir essa informação.

Segundo mergulho

Corais, peixes e a tartaruga que é um sinal de boa sorte por aqui
Dessa vez estava mais acordado e já sabia o que estava por vir. Não queria arriscar e decidi usar o colete salva-vidas para realizar o snorkeling e foi de longe a melhor opção pois eu fui o primeiro a entrar na água e o último a sair (contra minha vontade haha). Pois é, com o colete você não cansa nem um pouco e fiz toda a exploração juntamente com o romeno e a esposa dele.

Como eu estava sem máquina para tirar fotos e filmar dentro d'água eu pedi para eles realizarem essa tarefa com a câmera deles. Eles não só tiraram como também compartilharam o momento juntamente comigo (espero que eles me mandem as fotos para eu atualizar o quanto antes esse artigo).

Dessa vez nadamos com uma tartaruga e peixes enormes. Em um momento eu tirei o colete para mergulhar e alcançar um cardume que se escondia em corais mais profundos... sensacional é pouco para o que passei por ali!

Muitos corais são assim, bem próximos da superfície
No final da sessão todos estavam super realizados, era possível notar na expressão de cada pessoa a felicidade plena (até mesmo nas pessoas que continuavam passando mal) e até aconteceu uma competição de quem tinha visto mais tipos de peixes diferentes (infelizmente não apareceu nenhum tubarão ou baleia para a disputa ficar mais emocionante) e estávamos prontos para voltar.

Epopéia para voltar para terra firme

O dia estava sendo sensacional e os momentos que passei ali ao lado da natureza foram únicos! Os sonhos ficaram maiores e novas metas surgiram depois de tamanha experiência. Agora era só relaxar e curtir a volta.

Quando comecei a relaxar lembrei que passaríamos pelo mesmo local do TERREMOTO, mas fiquei imaginando se seria da mesma forma ou mais devagar tendo em vista que já tínhamos cumprido todos os horários do dia....me enganei.

Dessa vez ninguém nos avisou que estávamos passando pela parte "complicada", mas não precisava, todos ali já estavam sabendo disso, até mesmo o casal de idosos que estavam tocando e cantando alegremente como se nada estivesse acontecendo haha. Eu pensaei em filmar a situação para postar aqui mas era aquilo: ou eu me concentrava ou não fazia mais nada.

Dentro do barco, ao lado da janela
Estava sentado bem do lado da janela tentando controlar meu corpo (impossível ficar estável) e senti mais uma vez o efeito do leite no meu organismo. Não achei que iria passar mal... mas passei.

Levantei correndo e atravessei pulando as pessoas que estavam do meu lado e corri para o banheiro... passei mal, muito mal MESMO e fiquei sentado no chão por uns 20 minutos tentando me segurar.

Chegamos na Fitzroy Island e eu estava suado e ainda mais zonzo. O senhor brasileiro não perdeu a oportunidade de brincar comigo depois que comentei que passei mal: "Que desperdício hein? Pede reembolso do almoço!" hahahaha. Notei que mais pessoas estavam presentes na parte traseira do barco passando mal...

Mais pessoas embarcaram e seguimos em direção a terra firme. Não passei mal denovo mas estava cansado, com sono e com medo de passar mal novamente mas para a minha sorte o barco estava seguindo seu rumo sem terremotos de grande escala (e mesmo assim algumas pessoas continuavam passando mal).

Ao mesmo tempo que eu queria ficar lá na Grande Barreira de Corais para mim foi um alívio sair daquela situação de passar mal e não passar. Eu estava contente no final e fiz questão de agradecer cada tripulante (em especial 2 australianas - uma delas capitã do barco, não sou bobo né!).

Sair do barco é estranho...você continua rodando, sua cabeça mexe sozinha e tudo a sua volta parece continuar chacoalhando. Acredito que é proposital para você lembrar dos momentos sensacionais na Great Barrier Reef... e como eu estava feliz.

Garoto felicidade!

Reflexão

Vindo para a Austrália eu dei ainda mais valor para muitas coisas na vida e não seria diferente após o contato com a maior barreira de corais do mundo. Eu fiquei mais alerta, próximo e preocupado com a natureza não só aqui na Austrália como no mundo todo. 

Quem diria que um dia eu estaria nadando e mergulhando na Great Barrier Reef? É SURREAL pensar nisso.... mas eu fiz! Qual será a próxima aventura? O impossível deixou de existir do meu vocabulário faz tempo e por essa razão não faltam planos e sonhos.


"Just dive..."
Filipe Guerrero Analista de Projetos/Processos

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